Revista Crescer

A primeira palavra do bebê

Em pesquisa, leitores da CRESCER afirmaram que “mamãe” foi a primeira palavra da maioria das crianças

A primeira palavra dita pelo bebê geralmente é “mamãe” (Foto: Thinkstock)

M amãe ou papai: qual foi a primeira palavra dita pelo seu bebê? De acordo com uma enquete realizada no Facebook da Crescer, “mamãe” foi a campeã, com 42 % dos votos, enquanto “papai” recebeu 17% das indicações. Outras palavras somaram 41%.

Ainda que as mães estejam comemorando o resultado, a pediatra Maria Amparo Martinez, do Hospital Santa Catarina (SP), acredita que o fonema “p” é mais fácil para a criança falar. “O som do ‘m’ é mais difícil. O mais comum é a criança começar a falar ‘papa’, mas tudo depende muito do meio em que ela vive e de como é estimulada”, explica.

As etapas da aquisição da linguagem
O desenvolvimento da linguagem acontece de forma contínua e gradual e cada criança obedecendo o seu ritmo. Por isso, nada de ansiedade ou de comparações! No entanto, de forma geral, é possível observar fases comuns para a maior parte delas.

Inicialmente, a criança emite sons guturais, o famoso “gu-gu”, “da-da”, passando pelas vocalizações (os sons das vogais), consonantizações (sons das consoantes) e silabações (a junção das consoantes e vogais). “Nesse início, ele está experimentando, brincando com os sons da língua. Somente será considerado uma palavra quando atribuímos um significado ao som que o bebê está fazendo e ele usa esse som para designar alguma coisa”, explica a fonoaudióloga Raquel Luzardo, diretora da FONOterapia – Clínica de Fonoaudiologia (SP).

As primeiras palavras costumam surgir entre os 10 e os 15 meses. Por volta dos 2 anos, a criança já é capaz de formar frases com duas ou três palavras. Aos 3 anos, as frases já são mais estruturadas e complexas. Já aos 4, o padrão de fala fica bem próximo ao do adulto, sem trocas de sons.

Quando se preocupar com a demora da criança para falar?
A demora para que os filhos comecem a falar é uma situação de angústia para os pais, como conta a jornalista Vanessa de Paula, mãe de Sara, 7 anos, e Murilo, 2 anos e 3 meses. “A Sara falou com 2 anos e 2 meses. Demorou um pouco, mas quando começou, falou direitinho, formando frases. Já o Murilo ainda não fala nada, a não ser “mama”. Minha mãe diz que meu irmão falou com 3 anos e que minha sobrinha também demorou. Por isso, não devo me preocupar, mas acho que ele pode estar sofrendo por querer falar”, diz ela que já buscou o auxílio de médicos e fonoaudiólogos.

Até os 2 anos é considerado normal a criança não falar. A partir daí, o indicado é buscar ajuda profissional para averiguar o que está acontecendo. Na maioria dos casos, os problemas com a fala estão relacionados à audição. Porém, um ambiente não favorável para o desenvolvimento da linguagem, onde a criança não precisa falar para ser atendida, ou questões envolvendo a parte cognitiva, como algum grau de autismo, ou déficit de atenção, também costumam impactar a fala dos bebês.

Como ajudar?
Os bebês aprendem por imitação e com a fala não é diferente. Por isso, a melhor forma de estimular o seu filho a falar é… falando. “É importante conversar desde sempre com a criança. Contar o que vai fazer, descrever a rotina, nomear as partes do corpo na hora do banho, mostrar as coisas na rua durante um passeio, ler histórias, cantar … Tudo isso favorece o desenvolvimento da linguagem”, lembra Raquel.

Por outro lado, deve-se evitar palavras no diminutivo, que por serem mais longas, acabam ficando parecidas umas com as outras. Procure também não imitar quando a criança fala errado e não antecipar o que ela quer, atendendo prontamente a solicitação. É importante permitir e incentivar a criança a se expressar verbalmente. Na dúvida, vale consultar o pediatra do seu filho ou um profissional especializado, como um fonoaudiólogo.

Fonte: Revista CRESCER

 

 

A importância do teste da linguinha para a amamentação

Especialista esclarece as principais dúvidas sobre o exame

Língua presa pode atrapalhar na amamentação e na fala (Foto: Thinkstock)

Por Gladys Magalhães

Q uando Lídia, hoje com 1 ano, nasceu, sua mãe, Daniele Aragaki, notou que a filha apresentava dificuldades para mamar. “Eu senti que havia algo errado; ela fazia muita sucção e eu fiquei muito frustrada, pois havia pesquisado muito para amamentar. Na maternidade, havia alguns grupos de amamentação e, com eles, aprendi várias técnicas. Foi positivo, mas fiquei muito tempo achando que o problema era comigo. Eu chorava para dar de mamar e ela não ganhava peso direito. Quando Lídia completou 6 meses, fui a uma pediatra que identificou que ela tinha algum problema na língua. Procurei uma fonoaudióloga e fizemos o teste da linguinha. A indicação foi cirúrgica, mas ficamos com receio. Os exercícios foram suficientes para ela mamar melhor e eu continuo amamentando”, conta.

Casos com o de Lídia não são incomuns. Tanto que, desde 2014, hospitais e maternidades públicas e privadas são obrigadas a realizar o chamado teste da linguinha, conforme determinado pela Lei 13.002/2014.  Para esclarecer as principais dúvidas sobre o procedimento CRESCER  conversou com a fonoaudióloga Raquel Luzardo, especialista em linguagem e diretora da clínica Fonoterapia (SP).

CRESCER – O que é e para que serve o teste da linguinha?
Raquel Luzardo – O teste da linguinha é um procedimento que serve para detectar se a criança tem a língua presa ou não. Ou seja, se o frênulo, a membrana que conecta a língua ao assoalho da boca, tem algum problema.

CRESCER –  Quando deve ser feito o teste e como ele é realizado?
Raquel Luzardo – O teste deve ser feito nas primeiras horas de vida do bebê, ainda na maternidade. Isso é muito importante porque evita o desmame precoce. Caso não seja possível, o procedimento pode ser feito em consultório. O teste é basicamente observação e manipulação com os dedos. Ele deve ser feito por um fonoaudiólogo. Nele, observa-se a criança durante a mamada para ver a funcionalidade do frênulo. Depois, há uma análise anatômica, onde prestamos atenção, por exemplo, na postura da língua durante ochoro.

CRESCER – O teste é gratuito?
Raquel Luzardo – Segue-se o mesmo princípio dos outros testes, como o do pezinho e da orelhinha. Ele é oferecido gratuitamente pelo SUS e pago quando realizado no consultório.

CRESCER – Como os pais podem perceber que o filho tem a língua presa? Há relação com a amamentação?
Raquel Luzardo – A língua presa atrapalha na sucção da mamada. A criança mama pouco, não consegue sugar e pegar de maneira adequada no bico do peito, o que, muitas vezes, machuca a mãe e acaba levando ao desmame precoce. Mais tarde, a criança pode ter dificuldades de passar o alimento de um lado para o outro da boca, além de demonstrar problemas com a fala. Alguns fonemas se tornam mais difíceis de executar, como o “l” e o “r”. Em vez de falar morango, ela vai falar “molango”, por exemplo. Tais situações podem deixar a criança mais tímida, retraída e a faz evitar algumas palavras ou sons, que peçam a elevação da língua.

CRESCER – Quando a cirurgia é indicada?
Raquel Luzardo – Há vários níveis de língua presa. A grosso modo, o teste tem uma pontuação que varia de zero a 27, mas depende da faixa etária do paciente. Conforme a idade, a partir da pontuação 9, a cirurgia é indicada. O procedimento é simples. Nestes casos, basta um pique (um corte pequeno no frênulo) para corrigir o problema. O procedimento, que deve ser feito por um dentista, otorrinolaringologista, ou cirurgião plástico, leva cerca de 10 minutos, não precisa de anestesia (uma pomada anestésica basta). Os bebês podem mamar logo depois. Não há limite mínimo ou máximo de idade para realizar a cirurgia. No entanto depois que a criança completa 1 ano, ela pode ser mais complicada, exigindo internação e anestesia.

Fonte: Revista CRESCER