Escolas

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Sem infantilizar
A evolução da linguagem depende de estímulos externos e, claro, das características de cada criança. Umas são naturalmente mais ‘tagarelas’. Como se aprende a falar ouvindo, imitando e, principalmente, falando, o melhor incentivo é conversar com seu filho. Daí a importância de falar certo com a criança, o que inclui não infantilizar a linguagem.
Numa tentativa de simplificar o entendimento da criança, alguns pais costumam abusar da chamada linguagem tatibitate. Além de falar as palavras incorretamente, mudam a entonação da voz, imitando o filho. Essa função é da criança. Ela aprende a falar por repetição, ouvindo e imitando o adulto. Os pais devem procurar dizer as palavras corretamente para não confundi-la.
Metáforas de associação, como chamar cachorro de “au-au” e machucado de “dodói”, podem facilitar a vida da criança, porque são expressões fáceis de pronunciar. Não há problema em usar para identificar algumas coisas, mas adotar frases inteiras dessa forma retarda o aprendizado da linguagem. Pelo mesmo motivo, os pais devem evitar os diminutivos, que tornam a conversa com o filho muito infantilizada. É bom os pais passarem essas dicas para as outras pessoas que cuidam da criança, como os avós ou a babá.

Aprendemos a falar ouvindo
Como modelo de linguagem, a criança segue o adulto. Por isso, é importante que as pessoas ao seu redor falem corretamente. Do contrário, a criança perde o parâmetro e fica sem saber qual a forma correta das palavras. O risco é ela repetir os vocábulos da maneira que ouviu.
Isso explica por que muitos pais ficam preocupados com os erros gramaticais das babás e outros cuidadores. Essa preocupação é pertinente. Eles passam boa parte do dia com a criança, às vezes até mais tempo do que os pais. Logicamente influenciam a criança que está aprendendo a falar. O que não significa que seu filho vai copiar todos os erros, afinal, também tem outros modelos mais influentes, como a escola, por exemplo. Uma medida simples, mas eficaz, é corrigir os erros gramaticais da babá e demais cuidadores, com delicadeza.

Estímulo adequado
O desenvolvimento da linguagem é um processo longo e trabalhoso, que só termina por volta dos 6 anos, quando a criança já está apta a pronunciar todos os fonemas. O avanço e o amadurecimento da linguagem dependem dos estímulos que a criança recebe do ambiente. Se o filho aponta o objeto que quer e a mãe o atende prontamente, sem que ele tente falar, vai demorar mais para aprender. A melhor maneira de levar seu filho a falar corretamente, portanto, é conversar com ele normalmente. Mesmo que pronuncie errado a palavra, insista no jeito certo. Se ele pede a “dedera”, responda que vai preparar a mamadeira.

Orientações
0-3 anos
–- Aproveite situações do cotidiano para conversar com seu filho apresentando o nome das coisas. Assim, as palavras ganham significado e são gravadas com mais facilidade.
–- Na hora das refeições, fale do prato, da colher, das cores e consistência dos alimentos.
–- Aproveite o banho para nomear as partes do corpo e narrar as ações que a criança estiver fazendo: pegar o sabonete, a esponja, jogar água, esfregar a perna.
–- Faça comentários sobre a forma e a textura dos brinquedos.
– –Conte algo do dia com detalhes interessantes para a criança: o momento em que a vovó telefonou, uma coisa que você viu na rua.
– –Leia e conte histórias.
– –Ouçam e cantem juntos músicas e historinhas infantis.

3-4 anos
- Descreva as atividades do dia-a-dia.
– –Ensine-a a usar o telefone.
– –Leia histórias maiores.
– –Incentive-a a falar sobre os amigos, tarefas escolares e programas de TV.
– –Mostre interesse pelos assuntos da criança, prestando atenção em suas histórias.

Fonte:
Revista Crescer