Revista Bem Mulher
DIA NACIONAL DO DEFICIENTE AUDITIVO

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Mais do que tentar falar é fazer-se entender

Por Camilla Lóes – Fotos: Shutterstock.com
Tarefas comuns ao nosso dia-a-dia podem não ser tão fáceis para os deficientes auditivos. Isso porque a dificuldade maior deles é encontrar alguém que entenda a linguagem brasileira de sinais (Libras). Hoje (26) é o dia Nacional do Deficiente Auditivo, então que tal aprender um pouco mais sobre esse universo?

São sete milhões de pessoas, no Brasil, que possuem a deficiência e grande parte dessa a-shutterstock_343658537população sofre com a exclusão. Atitudes básicas como olhar nos olhos durante uma conversa, gestos e movimentação corporal podem amenizar essa dificuldade.

A linguagem de Libras deveria ser aprendida nas escolas para que houvesse uma inclusão maior por parte da população não afetada pela deficiência. Vale lembrar que nem todo surdo utiliza a linguagem de sinais, há também aqueles que são oralizados e que se comunicam através da fala oral, leem os lábios e podem ou não usar próteses auditivas e/ou IC (implante coclear). “Para que se sintam valorizados e incluídos, é extremamente importante tentar conversar com os surdos com respeito e paciência”, afirma a fonoaudióloga Raquel Luzardo.

Dicas da fonoaudióloga

  • Os surdos sinalizados geralmente lêem os lábios pelo menos um pouco. Se você perceber ou souber que o surdo é usuário exclusivo da Libras e realmente precisar falar com ele, fale de maneira simplificada. Ele provavelmente irá te entender e responder como puder (falando oralmente, por sinais ou até escrevendo);
  • Se o surdo usuário da Libras estiver acompanhado de intérprete, dirija-se a ele e não ao intérprete;
  • Para chamar um surdo, você precisa de algum sinal visual ou tátil. Você pode abanar as mãos, acender e apagar uma luz ou até tocar o ombro dele de leve. Jamais dê um cutucão com força ou um tapa agressivo;
  • Não fale mastigando. Além de não ser um gesto educado, a mastigação atrapalha bastante a leitura labial, tornando os lábios ilegíveis. Não adianta insistir. Termine de mastigar e, só aí, conclua a conversa;
  • Evite ambientes escuros. A iluminação é um fator que influencia muito a leitura labial. Se a iluminação ambiente não for adequada, vale qualquer improvisação: isqueiro, lanterna e até a luz do celular;
  • Espelho é um grande aliado nessas horas. Se você estiver no banco da frente de um carro, por exemplo, e quiser falar com um surdo oralizado no banco de trás, posicione o espelho retrovisor de modo que ele visualize sua boca;
  • Fale de frente para a pessoa articulando bem os lábios;
  • Fale de um jeito natural. É mais importante falar devagar do que gritar;
  • Seja direto, evite frases muito longas;
  • Se a pessoa pedir para repetir, repita;
  • Evite conversar em ambientes com muito ruído;
  • Quando houver várias pessoas no mesmo local, peça que cada uma fale de uma vez e não todas ao mesmo tempo.