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Os pequenos fazem de conta que leem e escrevem, mas não é hora de treinamento

A curiosidade das crianças pequenas em relação às letras é natural e deve ser estimulada. Mas não é aconselhável fazer treinamentos nem transformar o aprendizado na principal atividade da criança. Nos últimos 20 anos, mudou tudo em relação à alfabetização. Os pais às vezes temem antecipar fases, mas a verdade é que se aprende a ler desde sempre. Antes, imaginava-se que as crianças entravam na escola cruas e saíam letradas. Não é assim. Desde pequeninas elas vão formando uma bagagem, construindo suas hipóteses sobre a leitura e a escrita. Por volta dos 3 anos, começam a perceber a função das letras e já distinguem desenho e escrita. Elas descobrem que escrever ‘gato’ é diferente de desenhar um gato.

Função social
A atribuição dos pais é criar um ambiente que valorize e facilite o contato com a leitura e a escrita, sempre. A criança deve perceber que a escrita tem uma função social: além de registrar histórias, serve para fazer a lista do supermercado, deixar bilhetes e mandar mensagens pelo computador, compor as notícias dos jornais e das revistas, dar informações em placas, etc. O ambiente favorável é criado com muita leitura por parte dos pais, livros acessíveis e material de escrita à disposição da criança.

O que não pode é começar a ensinar metodicamente. A criança constrói suas hipóteses e vai derrubando as que não servem.  Os pais precisam se segurar e não derrubar as hipóteses por ela, mostrando o jeito certo. Isso desestimula e faz com que ela adote a fórmula que já está aprovada. Aí, sim, ela queima etapas. Portanto, nada de correções e exercícios, como dirigir a mão da criança. E não se deve comparar desempenhos. Cada um tem seu tempo e no fim todo mundo chega lá. Começar a ler mais cedo não significa ser um bom leitor mais tarde. Sobre crianças, nada é definitivo.

Sem medo
Assim como alguns pais receiam ensinar pouco à criança, outros evitam até conversas e atividades envolvendo a leitura, por medo de estar estimulando um aprendizado precoce. Se não é aconselhável fazer correções e estimular cópias, também é importante não se omitir. Se a criança perguntou, responda. A evolução da própria criança não pode ser ignorada. A leitura de histórias, por exemplo, deve acontecer desde o berço. Mas, agora, já deve ser feita com o texto visível também pela criança, pois ela vai começar a perguntar onde está escrito isso ou aquilo e vai mostrar as letras que já conhece.

Fonte: 
Revista Crescer